terça-feira, 3 de maio de 2011

Meu maior medo!


Ah, como é difícil falar o que eu escrevo,
como é difícil pensar e ser, não nessa ordem!

Aproxima-se segundo domingo de maio, o famoso dia das mães, e me vejo bombardeada de propagandas e apelos publicilóides, que furam meus olhos com suas parcelas sedutoras, medusas loucas promocionais! Talvez está seja a data comemorativa mas lucrativa do comércio sangue-suga (depois do natal, é lógico!) .
E de cá fico com minhas caramiolas todas, fugindo pra um lugar onde meus pensamentos me protejam desse “mundão” tão material e vazio. Fico viajando no meu ócio luxuoso, porque ter tempo pra escrever é um luxo e pra mim uma deliciosa terapia, rememorando as celebres frases que meu pai me fala vez em quando, e lembro da minha mãe. É, porque pensar no meu pai consequentemente, é pensar na minha mãe. E pensar na minha mãe, consequentemente, é pensar em outras mães e na maternidade de forma geral. Eu tenho medo de muitas coisas, mas são medos pequenos sabe, medo de barata (mas nojo que medo), medo de elevador (trauma), medo de comer esfirra do habib´s, medo de envergonhar meus pais sem querer, medo de acordar e continuar dormindo (se é que você me entende?!), mas meu maior medo, meu MEDÃO ... ai vou confessar: É ser MÃE!!!
Com o perdão da palavra; PORRAAA! Eu morro de medo de ser mãe. Por que ser mãe, é o papel mas difícil que alguém pode ter na vida, gente eu tremo e começo a gaguejar só de pensar nisso. Ser mãe é coisa de macho, não de homem. E é por isso, que meu pai sempre me falou: "Mãe é uma só, pai você pode ter vários!".
Eu achava que ele tava só querendo tirar o corpo fora, o timinho de campo, querendo me dizer assim: " Vá se queixar com sua mãe", " Vá chorar no ouvido dela", " Peça a ela pra fazer seu suco", essas coisas... Mas meu pai tinha toda razão.
A papeis bem claros e distintos nessa relação familiar, a paternidade é importante, muitíssimo. Não estou querendo dizer que ter uma mãe basta. Só estou dizendo que o papel de mãe é muito, mas importante, complexo, marcante, fortalecedor, enlouquecedor, salvador ser mãe é punk demais. E se você mãe, filho (a), não tem a mínima noção disso, é muito mais punk. A uma transformação enorme quando a mulher deixa de ser apenas mulher, filha, esposa, namorada, professora, dentista, manicure, motorista e passa a ser mãe. E nada do que eu escreva ou imagine daria a verdadeira dimensão e sentido a essa função, e isso meus caros é muito louco. E como em toda função a uma finalidade a de ser mãe é doar... noites de sono, seu corpo, seu tempo, seu dinheiro, sua paciência, sua educação, seus princípios, seu amor...
Pode parecer papo de filho(a) que espera demais, mas é um papo de uma mulher que tem medo de ser mãe, não por covardia ou irresponsabilidade, nada disso, pra ser mãe é preciso mas que coragem e responsabilidade, se grana no bolso te sobra isso até ajuda, mas também não basta. Na real é preciso entender o verdadeiro sentido da palavra doação, ser mãe é se dar... e não esperar nada em troca. Afinal, a doação é o ato de dar, se desfazer de algo seu em favor do outro, e isso me parece muito difícil.
E, por isso, as relações familiares são tão confusas, os pais vêem os filhos como seus projetos, seus sonhos, grandes investimentos. Como uma pequena poupança que vai acumulando, acumulando e um dia você vai lá e retira sua fortuna. Mas opa, você doou! Esqueceu foi? A vida não é uma fórmula matemática, não é uma aplicação na bolsa, não vai correr juros, esqueça as multas, os impostos que se paga todos os dias, deixe as porcentagens e as taxas para os bancos. Ter um filho é sua maior doação ao mundo, não é um investimento num futuro melhor e nem pior, isso independe da sua vontade, apenas confie em tudo que você doou. As mães conseguem isso melhor que os pais, porque maternidade é maior que paternidade, mesmo que agora você discorde. Portanto, está aí à nascente do meu medo, não posso errar, não quero, e sei que olhando assim, de longe me assusta demais o tamanho do desafio de ser mãe, MÃE DE VERDADE.
Se todas as mulheres pudessem olhar pra elas mesmas e decidissem ser melhores MÃES do que qualquer outra coisa que já foram ou possam vir a ser na vida...

E você pode pensar como? Eu não sei, tenho medo! Esqueceu? Mas a história da doação continua valendo, é um bom começo...

Bjos em cada um e em todos, até!

5 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

eu queria ser mão, para saber como é o amor materno.

Marcos Satoru Kawanami disse...

errata: ser mãe

Izabele Baraúna disse...

Amei o texto amiga.

Anônimo disse...

Ainda escreves!!

Uma vez num filme eu vi um ser extraordinário. Vi um ser extraterrestre, um ser ficctício e todo instinto, ser mãe. Eu lembrei de você. Ela tinha uma veia atravessando atravessando a testa pelo esforço. Lembre de você rindo. Comparei os pés sujos de terra. pés de guerreiras. Comparei as unhas. Comparei a ira. E o que está atrás do olhar. O dela era todo negro e insondável, afinal era uma aberração. Não, o seu não. Eu tinha vontade de mergulhar mais pela curiosidade do que pela beleza, mais pelo desafio que pela paz, mais pela paixão do que pelo amor, mais pela conquista do que pela esperança de uma nova eternidade. Mas nada disso seria pequeno na época. E tudo que é verdadeiro pode ser chamado, ainda que talvez errôneamente, chamado de amor...rs

Parabéns pelo blog!

Salve Jorge disse...

Se você for mãe
Sendo
Não tem mais jeito
Mas tem remendo
E conhecendo um pouco a grandiosidade do seu peito
A maternidade até que te cai bem
Porque quando a vida vem
A gente vai indo
Conforme vai vindo
Aprendendo o que é lindo
E ralando como ninguém
Coisas de quem vê além
E sempre te vê sorrindo
Então dessa possibilidade não vai se despindo
Ou o time das mães perde um reforço de peso...