
a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.

"Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"
(Caio Fernando Abreu in O Ovo Apunhalado.)
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É que mesmo de olhos fechados eu conseguia ver aquela estrela. Eu sabia que lá no céu, ela não brilhava só pra mim, mas, eu desejava ainda sim de olhos fechados, seu brilho sem fim. Feita uma boba egoísta, porque nada era tão mágico que imaginar aquela estrela sobre a minha cabeça, ao toque das minhas mãos, sob os meus olhos ainda que fechados e cegos de encanto ou turvos de tanto brilho! Eu queria uma estrela lá do céu, guardá-la feito presente, cultivá-la como uma flor. E todas as noites ficava horas olhando-a e guardando cada momento nosso. E, só depois de longas noites, e muitos dias vim descobrir que o brilho daquela "minha" estrela estava dentro de mim, nesse todo imenso olhar!